EUROPA

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Descobrindo o "Antigo Continente"

sábado, 31 de outubro de 2009

PLANEJAMENTO É A CHAVE DA VIAGEM ECONÔMIA PARA A EUROPA

Planejamento é chave de viagem econômica para a Europa
LUÍS SOUZA
Enviado especial à Europa

Conhecer a Europa é caro. Não dá para falar de Europa barata. Mas é possível gastar menos e ainda assim aproveitar a viagem.

Como disse em entrevista à Folha de Zizo Asnis, idealizador do guia brasileiro "O Viajante na Europa, "viajar com pouco dinheiro não é uma filosofia, mas uma contingência".

No caso dos brasileiros, talvez seja uma contingência freqüente, dado que a passagem aérea é paga em dólar (US$ 1 = R$ 2,47), e, nos principais destinos europeus, se gasta em euro (1 = R$ 3,17) ou, no caso da Inglaterra, em libra. Porém o orçamento apertado não deve ser uma desculpa.

Planejar é preciso

O turista econômico precisa ter em mente que o primeiro passo para fazer o dinheiro render mais no continente europeu é um bom planejamento. A viagem começa em guias e sites de informação turística. Quanto mais você souber sobre o lugar a ser visitado, mais fácil será evitar as armadilhas para turistas.

A Folha visitou alguns dos principais destinos europeus e elaborou estratégias para gastar menos em cinco cidades: Paris, Madri, Roma, Londres e Berlim. Também foram pesquisadas quais são as opções de transporte e hospedagem disponíveis e seus respectivos preços.

A Folha fez um cálculo com o mínimo de dinheiro necessário para passar um dia em cada uma das capitais.

ENTREVISTA

Zizo Asnis, gaúcho de 37 anos, queria ter uma ocupação rara no Brasil: editor de guias de viagem. Então idealizou com três amigos "O Guia Criativo para o Viajante Independente na Europa", ou simplesmente "O Viajante na Europa", que chegou ao mercado em 1999. Apesar do sucesso, os amigos desistiram. Acharam que não era possível viver daquilo. Zizo discordou. E, hoje, mesmo "sem estar rico", como diz, não reclama. Conheceu mais de 50 países e lançou uma versão do guia para a América do Sul e, no começo do próximo mês, lança a quarta edição de "O Viajante na Europa". Há também um site --www.uol.com.br/oviajante--, com dicas para viagens de baixo custo. Leia a entrevista concedida à Folha.

Folha - Falta de dinheiro é desculpa para não viajar?

Zizo Asnis - Não. Existem muitas formas de viajar de modo econômico. Mas o futuro viajante deve planejar, ler a respeito dos lugares, ter uma idéia de onde pode dormir e em que época viajar. Com isso, se aprendem muitos macetes, que vão de albergues mais baratos até dias da semana com entrada gratuita em museus.

Folha - O que é um viajante independente?

Asnis - É o cara que vai por conta própria, sem uma pessoa que irá resolver os seus problemas na recepção do hotel, sem um ônibus brasileiro que vai passar por aquele museu durante 15 minutos, apenas para ver a fachada.

O viajante independente é dono do próprio tempo, arrisca-se sem pacotes turísticos. Também tenta conhecer mais a cultura local, mesmo que não fale o idioma.

Folha - Quais são as vantagens de viajar assim? E as desvantagens?

Asnis - Vantagens: soberania total sobre o seu tempo, possibilidade de mudar planos, economia (mas nem sempre) e mais contato com os habitantes local e com e outros viajantes. Uma desvantagem: não há mordomias, que, vez ou outra, fazem bem em viagens.

Folha - Pouco dinheiro impossibilita fazer todos os passeios...

Asnis - Viajar com pouco dinheiro não é uma filosofia, mas um contingente de viagem. A filosofia é sair de forma independente, procurar conhecer mais o país e o povo e interagir com viajantes.
É claro que quem está com a grana contada vai ter que priorizar o que fazer, mas nem por isso deixa de aproveitar.

Folha - Qual a melhor época (da vida e do ano) para viajar?

Asnis - A melhor época da vida é quando se está a fim. Mas, particularmente, acho que existe uma grande brecha entre ser "pós-adolescente" e "pré-adulto". Aquela fase em que não estamos com a vida tão enraizada afetiva ou profissionalmente. Jovens estrangeiros fazem isso. Os brasileiros já são mais céticos, têm pouco apoio da família e acham que devem entrar logo no mercado de trabalho. Bobagem! Viajar é a maior universidade que se pode ter. Dá para aprimorar línguas estrangeiras e tornar-se mais perspicaz, com uma bagagem cultural sem equivalente. Mas isso não é só para jovens, ao menos não para jovens apenas na idade.

Quanto à melhor época do ano, é a baixa temporada. Os preços são menores, há menos gente viajando, não existe tanta necessidade de reservar hotéis, e o clima, frio ou quente, é menos rigoroso.

Folha - O passe de ônibus para a Europa é mais barato que o de trem. Vale a pena?

Asnis - Financeiramente, é um ótimo custo-benefício. Por outro lado, o passe restringe-se apenas a capitais e grandes cidades. Mais do que isso: deixa-se de viajar com o melhor transporte para conhecer a Europa, o trem. Se a economia tiver de ser extrema, compre um passe de ônibus; se puder investir mais, não hesite e vá de trem.

Folha - O que não pode faltar em sua mala?

Asnis - Guia (sei que sou suspeito para falar), dicionário, canivete ou talhares de plástico, chocolate (no inverno) e um travesseirinho, para viagens noturnas.

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