EUROPA

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Descobrindo o "Antigo Continente"

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

FLANANDO PELAS RUAS DE PARIS



Visitando a capital francesa, não perca a oportunidade de praticar o "esporte" predileto dos franceses: a flânerie. Ruas românticas, bairros boêmios, redutos artísticos e alguns dos melhores museus e restaurantes do mundo, na cidade campeã de turistas no mundo todo.

Por Mari Campos
Flanêrie. O verbo flanar vem deste adorável substantivo francês que significa estar sem rumo, à deriva. E quem melhor que os franceses para inventar um verbo deste? Não há no mundo cidade mais inspiradora para a flanêrie que Paris: flanar em Montmartre e de repente sentar num dos muitos cafés charmosos de lá (como o simpático Les Deux Moulins, da personagem principal de O Fabuloso destino de Amélie Poulin), flanar às margens do Sena, flanar na Place des Vosges, no Trocadero, no Campo de Marte, pelo Marais, ouvindo ao longe os sinos de Notre Dame...


Paris é uma grande profusão de culturas interligadas e quarteirões cheios de arte e história que nem uma vida inteira seria tempo suficiente para desvendar. Suas estações de metrô sempre sujas e geralmente fétidas contrastam com o perfume que exala da boulangerie de cada esquina e o aroma indescritível das margens de seu indefectível rio. Na cidade nascida na Île de la Cite, a ilhota bem no meio do rio Sena, há muito tempo a sisudez de alguns de seus moradores já cedeu lugar à simpatia e é possível ser atendido cordialmente em inglês em quase todo canto – é óbvio que começar suas fraces com si vous plait e concluir com merci sempre ajudam...


Pisar na cidade das luzes proporciona até ao mais desatento dos mortais uma sensação de déjà vu. Afinal, a França sempre esteve em toda parte, nos nossos perfumes, na moda, no champagne, nos queijos e crepes, no Iluminismo... Mas é claro que a primeira coisa que quem chega à Paris quer fazer é ver a Torre Eiffel. E provavelmente a verá também em todos os outros dias de sua estada, numa fresta aqui e ali, em vários outros pontos turísticos da cidade. As filas para subir na torre mais famosa do mundo durante o dia desanimam até o mais animado dos turistas; prefira fazê-lo no final da tarde, quando há muito menos gente e você tem a chance de estar lá em cima quando as luzes cintilantes acenderem. Lá de cima, em dias de tempo claro, a visão é impressionantemente ampla. Mas... quer saber? Nem é a vista mais bonita da cidade; afinal, a torre Eiffel não está nela...


O melhor de Paris é conhecê-la como os parisienses: sem a menor pressa, flanando. Para isso, desfrute do precioso tempo das pausas contemplativas nos cafés, abuse das pernas em substituição ao metrô e nem tente disfarçar aquele sorrisinho que não sairá dos seus lábios full time. Comece o dia visitando um dos ótimos escritórios de turismo recheados de mapas e serviços gratuitos. O principal Office de Tourisme fica na 25, Rue des Pyramides, metrô Pyramides (seg/sáb 10h-19h e domingos 11h-19h). Há outros em: Opéra, 11, Rue Scribe, metrô Opéra, Montmartre, 21, Place du Tertre, metrô Abbesses, Torre Eiffel, entre os pilares leste e norte, estações Gare du Nord e Gare de Lyon.


E antes de começar seu itinerário, tenha em mente o princípio básico para curtir Paris: nada de pressa. Repare em tudo, o tempo todo, para perceber a verdadeira Paris. O bondinho de Montmartre é sedutor, sem sombra de dúvida. Na fila para o acesso, você verá certamente gente de muitas nacionalidades, mas onde estão os franceses? Eles também estão num dos bairros mais queridos dos moradores, é claro, mas trocam o conforto do bondinho pelas charmosas escadarias que levam à Sacre-Couer, a majestosa igreja toda branca no alto da colina, que esconde em suas travessas paisagens inesquecíveis e ótimos bistrôs.


Para entender definitivamente o espírito de Paris, entenda os parisienses, que vivem à imagem e semelhança do adorável Asterix: riem de si mesmos diariamente, sempre aproveitando o melhor da vida. Além de comer e beber muito bem, gostam do inusitado – bem nos moldes de Amélie Poulin, outra personagem emblemática que a cidade deu ao mundo. E são loucos por jogos e competições – acredite: há uma quantidade surpreendente de mesas de bilhar espalhadas pela cidade.


Os franceses sempre gostaram de patins, tanto que os aparatos empre foram permitidos no metrô e demais transportes públicos. Mas a moda agora entre eles é o Vélib, o super serviço de aluguel de bicicletas disponível em várias partes da cidade.

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